Durante dezesseis anos, o Cine divulgou obras cinematográficas inéditas ou raras.
Hoje, o blog abre espaço para apresentar um livro importante para o Cinéfilo.
👉 A pré-venda já está aberta. Venha ser um dos primeiros leitores.
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Sinopse: Um Lugar sem Passado acompanha a história de Ezequiel, descendente de imigrantes portugueses que durante um tempo habitaram nas Minas Gerais, e posteriormente abriram caminho até o centro-oeste onde chegaram em 1877. Acompanhamos a trajetória de Ezequiel da infância ao primeiro amor, Sirlene — uma presença ausente que o acompanha quando ele deixa a pequena Capim Branco, no Mato Grosso, e parte em uma longa jornada pelas metrópoles de São Paulo e Piracicaba, onde se vê envolto em solidão e inquietações existenciais. Trinta anos depois, ele retorna à terra natal e constrói o Lanterna 364, um restaurante rústico à beira da rodovia, que se torna refúgio para figuras deslocadas e solitárias. Sua rotina é abalada com a chegada de Zara, uma cantora cuja semelhança com Sirlene faz o passado ressurgir com força avassaladora. Romance poético e intrigante, Um Lugar sem Passado investiga a sobrevivência do amor, em uma narrativa de atmosfera atemporal que dissolve as fronteiras entre lembranças e realidade. O amor deixa de ser apenas memória para se tornar força viva, capaz de alterar o tecido do mundo.
O autor: Samuel Rezende é escritor e trabalha na área de assessoria jurídica. Natural de Cuiabá (MT), reside em Florianópolis (SC). A paixão pela literatura começou aos dez anos de idade. Suas principais influências vão de autores como Dostoiévski, François Mauriac, Flannery O'Connor e John Steinbeck a cineastas como Terrence Malick, Jim Jarmusch, David Lynch e Wim Wenders, o que o leva a transitar na zona crepuscular das cicatrizes da existência – amor, memória, solidão, culpa, redenção, pertencimento.
🖋️ Crítica literária:
Durante décadas, parte da crítica literária valorizou principalmente aquilo que um romance dizia sobre a sociedade, a política, os conflitos, a psicologia ou a linguagem.
Tudo isso possui enorme importância.
Mas existe outra questão, talvez mais importante.
Como um romance modifica a experiência interior de cada leitor em sua jornada no tempo?
Acho que Um Lugar sem Passado responde a essa pergunta de maneira singular.
Ele convida o leitor a desacelerar.
Não para torná-lo lento.
Mas para torná-lo atento.
Essa é uma distinção fundamental.
Vivemos depressa.
Pensamos depressa.
Lemos depressa.
Esquecemos depressa.
A literatura, quando permanece fiel à sua vocação, oferece resistência a esse ritmo. Porque sabe que certas dimensões da existência só se tornam visíveis quando a atenção supera a pressa.
O romance parece dizer, silenciosamente: "Existem verdades que só caminham na velocidade da contemplação." Não na contemplação no sentido religioso, ainda que exista algo sagrado na educação do olhar.
Essa desaceleração não constitui apenas um recurso estilístico. Ela é parte do significado da obra.
Esse romance pertence a essa tradição.
Samuel Rezende é um escritor que confia profundamente no leitor.
Tudo isso possui enorme importância.
Mas existe outra questão, talvez mais importante.
Como um romance modifica a experiência interior de cada leitor em sua jornada no tempo?
Acho que Um Lugar sem Passado responde a essa pergunta de maneira singular.
Ele convida o leitor a desacelerar.
Não para torná-lo lento.
Mas para torná-lo atento.
Essa é uma distinção fundamental.
Vivemos depressa.
Pensamos depressa.
Lemos depressa.
Esquecemos depressa.
A literatura, quando permanece fiel à sua vocação, oferece resistência a esse ritmo. Porque sabe que certas dimensões da existência só se tornam visíveis quando a atenção supera a pressa.
O romance parece dizer, silenciosamente: "Existem verdades que só caminham na velocidade da contemplação." Não na contemplação no sentido religioso, ainda que exista algo sagrado na educação do olhar.
Essa desaceleração não constitui apenas um recurso estilístico. Ela é parte do significado da obra.
Esse romance pertence a essa tradição.
Samuel Rezende é um escritor que confia profundamente no leitor.
Existe
uma diferença profunda entre conduzir um leitor e confiar nele.
Conduzir
significa antecipar continuamente suas reações.
Criar
surpresas calculadas.
Explicar
aquilo que poderia ser apenas sugerido.
Confiar
é outra coisa.
É
admitir que o leitor não é passivo.
Ele
observa.
Ele
recorda.
O leitor extrai seu próprio significado.
Há escritores que seduzem.
Há escritores que impressionam.
Há escritores que explicam.
Há escritores que tentam vender seu próprio pensamento.
Ele faz algo diferente.
Ele espera.
Isso exige coragem.
Porque o escritor que espera corre o risco de ser lido apressadamente. E sua obra será julgada apressadamente.
Mas, quando encontra um leitor disposto a caminhar na mesma velocidade, algo incomum acontece.
O romance deixa de ser mero objeto de consumo.
Passa a ser um companheiro na estrada interior do leitor.
Não estranhe.
Os bons livros amadurecem dentro do leitor na velocidade da própria vida.
Eles passam a viver dentro de nós.
As luzes do Lanterna 364 estão acesas. A porta está aberta. Entre. Sente-se à mesa. Vamos tomar um café?
Há escritores que impressionam.
Há escritores que explicam.
Há escritores que tentam vender seu próprio pensamento.
Ele faz algo diferente.
Ele espera.
Isso exige coragem.
Porque o escritor que espera corre o risco de ser lido apressadamente. E sua obra será julgada apressadamente.
Mas, quando encontra um leitor disposto a caminhar na mesma velocidade, algo incomum acontece.
O romance deixa de ser mero objeto de consumo.
Passa a ser um companheiro na estrada interior do leitor.
Não estranhe.
Os bons livros amadurecem dentro do leitor na velocidade da própria vida.
Eles passam a viver dentro de nós.
As luzes do Lanterna 364 estão acesas. A porta está aberta. Entre. Sente-se à mesa. Vamos tomar um café?

